Não é raro alguém passar décadas cuidando de um imóvel e só descobrir a importância da documentação quando precisa vender, financiar ou organizar uma herança. Uma das primeiras perguntas que surge é direta: quanto custa fazer usucapião?
A resposta depende de vários fatores — tipo de imóvel, estado, valor venal e complexidade do caso. Mas existem faixas de mercado que ajudam a planejar o orçamento. Neste artigo, a Imojus explica os custos envolvidos na usucapião extrajudicial em 2026, item por item, para você entender o que está pagando antes de tomar qualquer decisão.
O que é usucapião e quando ela se aplica
A usucapião é uma forma de regularizar a propriedade de um imóvel quando uma pessoa exerce a posse mansa e pacífica do bem por determinado período, cumprindo requisitos previstos na lei. Na prática, é o caminho usado por quem vive no imóvel há muitos anos, mas não tem a documentação que comprova a propriedade.
Exemplos comuns: quem comprou a casa apenas com contrato particular, recebeu um terreno da família sem fazer a transferência oficial ou ocupa o imóvel há anos sem registro no cartório. A usucapião transforma essa posse de fato em propriedade reconhecida oficialmente.
Desde 2016, com o novo Código de Processo Civil, a usucapião pode ser feita pela via extrajudicial, diretamente no Cartório de Registro de Imóveis, conforme o art. 216-A da Lei 6.015/73 (Planalto). Esse caminho costuma ser mais ágil e pode ser mais econômico que a via judicial, dependendo do estado, do valor do imóvel e da complexidade do caso — mas só funciona quando não há oposição de terceiros e os requisitos estão preenchidos.
Tabela de custos da usucapião extrajudicial em 2026
Abaixo, as faixas de valor observadas no mercado brasileiro em 2026. Os valores variam conforme o estado (cada Tribunal de Justiça fixa sua tabela de emolumentos), o valor venal do imóvel e a complexidade do caso:
| Item | Custo estimado (2026) |
|---|---|
| Ata notarial (cartório de notas) | R$ 1.500 a R$ 5.000 |
| Planta e memorial descritivo (engenheiro/arquiteto) | R$ 1.500 a R$ 5.000 |
| Emolumentos do Cartório de Registro de Imóveis | R$ 2.000 a R$ 8.000 |
| Certidões negativas (conjunto) | R$ 300 a R$ 800 |
| Honorários advocatícios | R$ 5.000 a R$ 20.000 |
| Total estimado | R$ 10.300 a R$ 38.800 |
Para imóveis urbanos de valor médio (R$ 200 mil a R$ 400 mil), em estados como São Paulo, o custo total da usucapião extrajudicial costuma ficar, em muitos casos, entre R$ 15.000 e R$ 35.000, podendo variar conforme o valor venal e a complexidade, e partir de cerca de R$ 8.000 em imóveis de baixo valor venal.
Referências de custo para Norte e Nordeste
Não existe uma média oficial única para usucapião no Brasil. Cada estado tem sua própria tabela de emolumentos, e os valores mudam conforme o valor venal do imóvel, número de confrontantes, necessidade de edital, certidões e complexidade da planta.
Como referência prática para imóveis urbanos simples ou médios, estimativas nacionais apontam custo total da usucapião extrajudicial entre R$ 8.000 e R$ 20.000 em muitos casos, podendo subir em situações com maior complexidade documental, técnica ou registral.
| Região / Estado | Referência local |
|---|---|
| Ceará | A tabela do TJCE foi atualizada para 2026, e um cartório cearense informa ata notarial de usucapião a partir de R$ 690; esse valor é apenas inicial e não representa o custo total do procedimento (TJCE) (Cartório Oliveira Souza) |
| Bahia | A tabela de custas e emolumentos de 2026 está em vigor desde janeiro, e a ata notarial relativa à usucapião é calculada sobre o valor do imóvel (TJBA) |
| Amazonas | Tabela de referência da OAB-AM indica honorários mínimos para usucapião extrajudicial a partir de R$ 3.800, mas a vigência deve ser confirmada na seccional antes de usar como orçamento (OAB-AM) |
Na prática, Norte e Nordeste podem ter custos iniciais menores em alguns atos, mas o valor final continua dependendo do caso concreto. Por isso, o ideal é confirmar os emolumentos no cartório competente e os honorários com advogado da região.
Detalhamento de cada custo
1. Ata notarial
A ata notarial é lavrada pelo tabelião de notas e atesta o tempo e as características da posse. Em estados como São Paulo e Minas Gerais, seu valor é calculado por faixas baseadas no valor do imóvel, girando geralmente entre R$ 1.500 e R$ 5.000 (Smargiassi). Em uma tabela exemplificativa, imóveis na faixa de R$ 105 mil a R$ 140 mil podem ter ata em torno de R$ 2.535; valores menores ou maiores seguem outras faixas (Consultório Jurídico).
2. Planta e memorial descritivo
Esse documento técnico, elaborado por engenheiro ou arquiteto com ART/RRT, descreve medidas, confrontações e localização do imóvel. Para imóveis urbanos de porte médio, custa entre R$ 1.500 e R$ 5.000; lotes pequenos podem sair por valores a partir de R$ 750 (Trabalho Engenharia).
3. Emolumentos do Registro de Imóveis
São calculados sobre o valor venal do imóvel, conforme a tabela do estado. Em um exemplo de cálculo para imóvel de R$ 500 mil, o custo de registro foi estimado em R$ 3.762, além de processamento e diligências; como as tabelas mudam por estado e ano, o valor deve ser confirmado no cartório competente (Consultório Jurídico). Em São Paulo, os emolumentos do RI ficam em torno de R$ 4.700 para imóvel de R$ 200 mil.
4. Certidões negativas
Cada certidão tem custo baixo (R$ 30 a R$ 150), mas o conjunto de certidões estaduais, federais e de estado civil costuma somar entre R$ 300 e R$ 800.
5. Honorários advocatícios
A contratação de advogado é obrigatória na usucapião extrajudicial. Os honorários são livremente pactuados e variam conforme a complexidade do caso e o valor do imóvel, costumando ficar entre R$ 5.000 e R$ 20.000 (Smargiassi). A tabela de referência da OAB estabelece valores mínimos — em Rondônia, por exemplo, a usucapião extrajudicial tem mínimo de R$ 8.000 (OAB-RO).
A usucapião é cara? Dois pontos que mudam a conta
Sem incidência de ITBI. Em regra, não há incidência de ITBI na usucapião, porque ela é forma originária de aquisição da propriedade, e não uma transmissão onerosa entre vendedor e comprador. Esse é um custo que, em uma compra e venda normal, pode chegar a 2% ou 3% do valor do imóvel — na usucapião, ele não incide.
Gratuidade para quem tem direito. Quem comprova insuficiência de recursos pode pedir gratuidade, que pode alcançar custas e emolumentos se deferida. Isso não elimina automaticamente honorários de advogado particular nem serviços técnicos contratados, como planta e memorial (Libardineves Advogados).
Em muitos casos, o custo de manter o imóvel irregular — em desvalorização, impossibilidade de venda ou financiamento — é maior do que o de regularizar. E o primeiro passo não é contratar tudo de uma vez: é entender a situação do imóvel para escolher o caminho certo e evitar gastar com documentos ou procedimentos desnecessários.
Perguntas frequentes
É possível saber o valor exato antes de analisar o imóvel?
Não. Como existem diferentes tipos de situação, é necessário avaliar a documentação, o tempo de posse e as características do imóvel antes de estimar os custos com precisão.
Usucapião precisa sempre de advogado?
Sim. A orientação de um advogado é obrigatória na via extrajudicial, pois envolve análise jurídica e elaboração do requerimento nos moldes do art. 319 do CPC.
Quando a via extrajudicial não cabe?
Quando há oposição de terceiros, litígio sobre a posse ou título duvidoso, o caminho é a usucapião judicial, que tende a ser mais longa e mais cara — entre R$ 16.000 e R$ 40.000 em casos urbanos médios.
Conclusão
Descobrir quanto custa fazer usucapião é uma das primeiras preocupações de quem deseja regularizar um imóvel. Mas, antes de pensar em valores, é preciso entender a história daquele imóvel e quais caminhos realmente existem — porque nem todo imóvel irregular cabe em usucapião, e a via judicial pode não ser necessária.
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