A queda da Selic para 14% ao ano, anunciada pelo Copom em agosto de 2026, trouxe alívio para quem pensa em financiar um imóvel (CNN Brasil). Foi o quarto corte seguido da taxa básica de juros, um sinal de que o crédito começa a ficar menos caro (Globo).
Mas há um passo que muita gente pula antes de procurar o banco: conferir se o imóvel está com a documentação em condições de ser vendido, financiado ou dado em garantia.
O que a Selic a 14% muda (e o que não muda)
Quando a Selic cai, os juros de financiamentos tendem a acompanhar, com algum atraso. Para quem quer comprar um imóvel, isso pode significar parcelas mais leves.
A decisão de agosto de 2026 reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, no quarto corte consecutivo do Copom (CNN Brasil) (Globo).
O ponto, porém, é que juros menores não resolvem problemas documentais. Sem a documentação em ordem, o banco pode recusar o imóvel como garantia ou interromper a análise. A queda da Selic abre uma janela de oportunidade, e quem tem a documentação em ordem tende a aproveitar melhor essa janela.
O passivo que a queda dos juros não resolve
Com o mercado aquecido — R$ 4,78 bilhões em vendas no primeiro semestre de 2026 em Fortaleza e RM, alta de 16% (CBIC) — quem tem imóvel irregular corre o risco de ficar de fora do melhor momento para vender.
Os principais casos em que o imóvel fica travado:
- Contrato de gaveta ou cessão de direitos: pode comprovar a negociação, mas não substitui o registro da propriedade em nome do comprador.
- Imóvel herdado sem inventário: o bem ainda está em nome do familiar falecido.
- Construção sem averbação: a casa existe na vida real, mas não no papel.
- Matrícula desatualizada ou com ônus antigos: pendências que precisam ser verificadas antes de qualquer negociação.
A OAB alerta que comprar imóvel sem escritura e registro significa arcar, depois, com os custos da regularização, e que IPTU e taxas em atraso costumam virar responsabilidade do novo proprietário (OAB-DF).
Nada disso se resolve com a queda da Selic. Juros menores não regularizam matrícula nem apagam ônus.
Regularizar x financiar: o cálculo que poucos fazem
Regularizar significa colocar a documentação em ordem: escritura, registro, averbação da construção, cadeia de transferências íntegra. Só depois disso o imóvel tende a ser aceito em financiamento ou como garantia por instituições financeiras, que em geral exigem documentação em ordem.
O custo da regularização varia conforme o caso. Segundo a OAB, despesas de cartório costumam girar entre 2% e 4% do valor do bem, e a regularização pode elevar o valor de mercado em até 30% — embora o ganho real dependa da situação documental, da localização e do perfil do imóvel, sem valorização garantida (OAB-DF).
Em muitos casos, o custo de manter o imóvel irregular é maior do que o de regularizar.
Como se preparar para aproveitar a queda dos juros
Antes de procurar o banco, organize a documentação: matrícula atualizada, escritura ou contrato, situação do IPTU, certidões negativas, habite-se ou documento equivalente, averbação da construção e verificação de ônus.
Dependendo do caso, os caminhos podem envolver escritura e registro, averbação, inventário, retificação de área, usucapião extrajudicial, prevista no art. 216-A da Lei 6.015/73 (Planalto), ou REURB.
Antes de contratar um advogado ou buscar financiamento, porém, é preciso entender a situação documental do imóvel. É exatamente aí que a Imojus entra: na etapa anterior, de inteligência documental, sem substituir o advogado.
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